Pela vila do Marvão

No meu aniversário o Ivan ofereceu-me um voucher do Odisseias “fugas a dois” com o objectivo de irmos passar um fim de semana diferente. Quando vi o catálogo das opções disponíveis, agrupado por zona do país, percebi que queria um lugar directamente ligado com a natureza, sem barulho, longe da confusão e onde pudéssemos desconectar do mundo. E assim foi. Depois de muito considerar e pesquisar, optámos pelo Marvão. O Marvão é uma vila que pertence ao distrito de Portalegre, no alto Alentejo e tem cerca de 600 habitantes. Esta vila fica localizada no ponto mais alto da lindíssima serra de São Mamede e bem próxima com a fronteira de Espanha.
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Enquanto viajamos por Portugal de carro, é muito bonito de se apreciar as diferentes paisagens que nos vão aparecendo- principalmente para quem fizer as viagens pelas nacionais- e é apenas nestas alturas que percebemos a diversidade paisagística que temos num país tão pequeno.
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Mal chegámos ao Marvão, percebemos que seria uma aldeia com as suas particularidades. A entrada no castelo faz-se por uma portada muito estreita e até duvidámos se era permitida a circulação de carros. Logo nos apercebemos que sim e com algum medo avançámos pelas ruas estreitas, vendo porta a porta com a estrada, aquelas casas tradicionais que nos acompanhavam no caminho até ao castelo. Parámos o carro para apreciar, do miradouro, a vista fenomenal para a serra e continuámos até encontrar o sítio onde ficaríamos hospedados.
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Chegámos por volta das 14h e passadas umas horas (poucas) percebemos que não teríamos muito mais para fazer por ali. Era um sítio muito calmo, não se ouvia nada nem ninguém e confesso que isso nos fez alguma confusão. Foi um fim de semana de muito sol e céu limpo, conseguimos ver paisagens lindíssimas com céu limpo e um por do sol fenomenal. Mas a falta da confusão, de pessoas, de barulho, de trânsito, foi desconcertante. Ficámos a adorar a vila e aconselhamos vivamente a quem precisar de recarregar baterias. É uma vila extremamente cuidada, nota-se um particular interesse na sua manutenção e não se vê nada fora do sítio ou sujo. As plantas, flores e jardins estão organizadas estrategicamente e não há nada pisado, arrancado ou com sede. Não se vê uma erva daninha. Nas montras das poucas lojas, há cartazes que anunciam eventos e incentivam a participação da população. Vemos várias lojas de artesanato e perguntamo-nos como subsistem por ali, visitamos o castelo, a casa da cultura, o museu, verificamos a existência de um posto de turismo e ficamos incrédulos com a organização da vila. Nessa noite até a um restaurante resolvemos ir jantar. Um restaurante alentejano com menu vegetariano? Tínhamos que experimentar. Queríamos ouvir pessoas, ver se ali vivia alguém para além do dono da casa onde pernoitámos. Comemos massa com espargos e cogumelos, pedimos migas e passado 1h30 estávamos a comer muito lentamente porque o regresso ao alojamento significava silêncio absoluto.
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No dia seguinte, depois do pequeno almoço, estávamos de malas feitas e resolvemos partir à aventura… Dali rumámos em sentido Norte (para ir até casa) mas com muitas paragens em várias cidades do país. E aí sim, aquele fim de semana começou a fazer sentido: quando começámos a explorar. Percebemos que somos mais felizes quando chegamos a casa cansados de percorrer caminhos que até então não tínhamos explorado, quando chegamos com histórias para contar, quando voltamos com os olhos cheios de novas cores e paisagens. Vila do Marvão, és lindíssima e com certeza que te visitaremos novamente mas por agora, o teu silêncio assusta-nos.
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Até à próxima,
Joana

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